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quarta-feira, 14 de março de 2012

Sabedoria na dor*



Por Friedrich Nietzsche


A Coluna Partida", óleo sobre tela de Frida Kahlo, 1944


Na dor há tanta sabedoria como no prazer: ambos estão na primeira linha das forças conservadoras da espécie. Se assim não fosse com a dor, há muito tempo ela teria desaparecido; que ela cause sofrimento, esse não é um argumento contra ela, ao contrário, é sua essência. Ouço na dor a ordem do capitão do navio: “Arriem as Velas!”

O intrépido navegador “homem” deve ser treinado a orientar as velas de mil maneiras, de outro modo não tardaria a desaparecer e o oceano o engoliria depressa.

É preciso que saibamos viver também com uma energia reduzida: logo que a dor dá seu sinal de segurança, é o momento de reduzi-la – algum grande perigo, uma tempestade se prepara e agimos prudentemente ao oferecer a menor “superfície” possível.


in. A Gaia Ciência. Ed. Escala, 2006, p. 185.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Chorar*



Por Eduardo Galeano



Foi na selva, na Amazônia equatoriana. Os índios shuar estavam chorando a avó moribunda. Choravam sentados, na margem de sua agonia. Uma pessoa, vinda de outros mundos, perguntou:

- Por que choram na frente dela, se ela ainda está viva?

E os que choravam responderam:

- Para que ela saiba que gostamos muito dela.

in. O livro dos abraços, 2010, p. 214.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Das causas do sofrimento humano*



Por Sigmund Freud



O sofrimento ameaça de três lados: a partir do próprio corpo, que, destinado à ruína e à dissolução, também não pode prescindir da dor e do medo como sinais de alarme; a partir do mundo externo, que pode se abater sobre nós com forças superiores, implacáveis e destrutivas, e, por fim, das relações com os outros seres humanos. O sofrimento que provém desta última fonte talvez seja sentido de modo mais doloroso que qualquer outro; tendemos a considerá-lo como um ingrediente de certo modo supérfluo, embora não seja menos fatalmente inevitável do que o sofrimento oriundo de outras fontes.


in: o mal-estar na cultura, 2010, pp. 63-64.

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