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domingo, 13 de janeiro de 2013

Em companhia de pensadores*


Dizziness, Iman Maleki (1976 - )

No meio do oceano do devir, despertamos numa ilhota não maior que uma barca, nós aventureiros e aves migrantes, e lá olhamos um instante em torno de nós: com tanta pressa e curiosidade quanto possível, pois um vento pode a qualquer momento nos levar ou uma onda nos varrer da ilhota, de tal modo que nada mais restaria de nós! Mas aqui, nesse pequeno espaço, encontramos outras aves migrantes e ouvimos falar de aves mais antigas ainda – e assim temos um minuto delicioso de conhecimento e de descoberta, chilreando juntos e batendo alegremente as asas, enquanto nosso espírito vagueia sobre o oceano, não menos altivo que o próprio oceano!


*Friedrich Nietzsche in. “Aurora”. Ed. Escala, 2007. p.190.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Sabedoria na dor*



Por Friedrich Nietzsche


A Coluna Partida", óleo sobre tela de Frida Kahlo, 1944


Na dor há tanta sabedoria como no prazer: ambos estão na primeira linha das forças conservadoras da espécie. Se assim não fosse com a dor, há muito tempo ela teria desaparecido; que ela cause sofrimento, esse não é um argumento contra ela, ao contrário, é sua essência. Ouço na dor a ordem do capitão do navio: “Arriem as Velas!”

O intrépido navegador “homem” deve ser treinado a orientar as velas de mil maneiras, de outro modo não tardaria a desaparecer e o oceano o engoliria depressa.

É preciso que saibamos viver também com uma energia reduzida: logo que a dor dá seu sinal de segurança, é o momento de reduzi-la – algum grande perigo, uma tempestade se prepara e agimos prudentemente ao oferecer a menor “superfície” possível.


in. A Gaia Ciência. Ed. Escala, 2006, p. 185.

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