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quarta-feira, 1 de maio de 2013

O trabalho liberta?*


O desemprego multiplica a delinqüência e os salários humilhantes a estimulam. Jamais teve tanta atualidade o velho provérbio que ensina: “O vivo vive do bobo e o bobo de seu trabalho”. De resto, já ninguém diz, porque ninguém acreditaria, “trabalha e prosperarás”.

O direito ao trabalho já se reduz ao direito de trabalhar pelo que querem te pagar e nas condições que querem te impor. O trabalho é o vício mais inútil. Não há no mundo mercadoria mais barata do que a mão de obra. Enquanto caem os salários e aumentam os horários, o mercado de trabalho vomita gente. Pegue-o ou deixe-o, porque a fila é comprida.

*Eduardo Galeano in. “A escola do mundo ao avesso”. Ed. L&pm, 2011, p. 169.

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Powerhouse Mechanic and Steam Pump, c. 1920.
Lewis Hine, 1874-1940.



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Mundos do Trabalho*


Em que sentidos e direções desejamos transformar o mundo, ou: nossas pesquisas implicam transformação? Corremos o perigo de esquecer que o sujeito e o objeto de nossas pesquisas são seres humanos? Não deveríamos correr este risco, pois são pessoas – não o “trabalho”, mas homens e mulheres trabalhadores reais (...) – o que nosso estudo focaliza. Para muitos de nós o objeto final de nosso trabalho é criar um mundo no qual os trabalhadores possam fazer sua própria vida e sua própria história, ao invés de recebê-las prontas de terceiros, mesmo dos acadêmicos.

*Eric J. Hobsbawm in. “Mundos do Trabalho”. Ed. Paz & Terra, 2000, p.30.

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 Photo: Sebastião Salgado.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O espetáculo do trabalho*



Por Josenias Silva




A dimensão do trabalho é uma das mais evidentes quando se observa o cotidiano social das cidades. A historiadora Maria Stella Bresciani, em Londres e Paris no Século XIX: o espetáculo da pobreza (Brasiliense, 1982), assim descreve o “espetáculo assustador” das ruas londrinas no período da transição do processo produtivo em plena revolução industrial.


Toda a agitação anotada pelos contemporâneos se compõe com milhares de homens e mulheres no trânsito cotidiano de suas casas para seus empregos, resultado evidente do declino do sistema doméstico de produção. Impelidos para o mercado de trabalho, vêem-se na contingência de se deslocarem a pé por ruas estreitas e irregulares, impróprias para a passagem de pedestres. Num cenário de cerca de duas milhas de extensão, a grande novidade é a exteriorização da atividade do trabalho. É a amplitude dessa exposição pública das atividades do trabalho o que choca os contemporâneos. Nessa exteriorização, que produz a identidade social do trabalhador, o que mais espanta é estar esse homem coberto com os sinais da miséria, considerados até então atributos de velhos e doentes, dos incapacitados em geral.


Assim, em todos os cantos, desde o instante em que o trabalho deixou de ser feito quase exclusivamente nas oficinas domésticas se vêem trabalhadores pululando na paisagem urbana. Isso ocorre nas grandes e pequenas cidades, umas com um ritmo mais acentuado, outras mais lentas, mais pingadas, mas com certeza não existe esta que não tenha seus trabalhadores, sejam eles de fábricas, do comércio, ambulantes, autônomos, portuários, domésticos, liberais, de “bico” etc. Mas é justamente como “espetáculo” que o trabalho irá assumir uma forma de exteriorização pública da miséria. Quer dizer, daquilo que não estará restrito unicamente as atividades produtivas em si, mas que envolverão todos os processos econômicos, culturais, políticos, afetivos, históricos etc., etc., etc., da (re)produção social da existência.


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