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sexta-feira, 1 de março de 2013

Mousikè e pavor*


O pavor nocturnus. Ruído, mordiscar de arganazes, de formigas, gotas de água de torneira ou de calha, respiração no escuro, lamentos misteriosos, gritos abafados, silêncio que não responde repentinamente à norma do som do silêncio do lugar, despertador, ramos batendo ou estalar de chuva sobre o teto, galo.

Pavor diurnos. No santuário. Em um corredor da rua Sébastien-Bottin durante vinte e cinco anos: não há ninguém e no entanto falamos em voz baixa. Cochichos de monges. Risos espremidos às vezes. Somos manequins de vime, o que os romanos chamavam larva, cujos fios são manipulados pelos mortos mais antigos, mais antepassados.

*Pascal Quignard in. “Ódio à música”. Ed. Rocco, 1999, p. 17.

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Photo: Don Hong-Oai, (China, 1922).


domingo, 17 de junho de 2012

Senhas*



Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto 


Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos

Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas

O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu aguento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo pra etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades

O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Não, não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem

Eu gosto dos que têm fome
E morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem 


Adriana Calcanhotto. in. “Senhas”, 1992. (CBS/Columbia)

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Ouvir no YouTube: Senhas

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Olhar agateado*



Uma moça bonita
De olhar agateado
Deixou em pedaços
Meu coração
Uma onça pintada
E seu tiro certeiro
Deixou os meus nervos
De aço no chão...

Alceu Valença. Como dois Animais. in. Sol e Chuva. 1997. (Som Livre) 

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Anunciação*


Cena do Filme O dia em que a terra parou (The Day the Earth Stood Still) - 1951.

Na bruma leve das paixões
Que vêm de dentro
Tu vens chegando
Prá brincar no meu quintal
No teu cavalo
Peito nu, cabelo ao vento
E o sol quarando
Nossas roupas no varal...

Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais...

A voz do anjo
Sussurrou no meu ouvido
Eu não duvido
Já escuto os teus sinais
Que tu virias
Numa manhã de domingo
Eu te anuncio
Nos sinos das catedrais...

Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais...

Alceu Valença. in. Anjo Avesso. 1983. (Ariola)


sábado, 21 de abril de 2012

"Besta é Tu" - Novos Baianos*


Novos Baianos

Novos Baianos - Influenciados pela contracultura e pela Tropicália, o grupo foi uma das maiores referências musicais brasileiras entre 1969 e 1979. Com uma grande mistura de ritmos e estilos o grupo conseguiu destacar-se como a síntese da musicalidade brasileira naquele contexto. Em 2007, o disco Acabou Chorare (1972) foi eleito pela revista Rolling Stone como o melhor disco da história da música popular brasileira. Confira abaixo um dos maiores sucessos desse grupo que marcou a história da MPB.




Música: "Besta é Tu" 
Compositores: Luiz Galvão/Moraes Moreira / Pepeu Gomes
Disco: Acabou Chorare, Som Livre, 1972.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Édith Piaf*




Dica do Blog: Aos amantes da boa música, ouçam/assistam Édith (1915-1963), “la Môme Piaf”, o pardalzinho francês que cantou o amor e os desencontros da vida.

Um pouco dela abaixo: 


No, je ne regrette rien (letra aqui)




Hymne a L´amour (letra aqui)



Há também um filme maravilhoso sobre sua vida:

Piaf – Um Hino ao Amor (La Vie En Rose / La Môme), 2007 – Trailer abaixo:





quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Vila Esperança*



Por Adoniran Barbosa


Vila Esperança, foi lá que eu passei
O meu primeiro carnaval
Vila Esperança, foi lá que eu conheci
Maria Rosa, meu primeiro amor
Como fui feliz, naquele fevereiro
Pois tudo para mim era primeiro
Primeira rosa, primeira esperança
Primeiro carnaval, primeiro amor criança
Numa volta no salão ela me olhou
Eu envolvi seu corpo em serpentina
E tive a alegria que tem todo Pierrô
Ao ver que descobriu sua Colombina
O carnaval passou, levou a minha rosa
Levou minha esperança, levou o amor criança
Levou minha Maria, levou minha alegria
Levou a fantasia, só deixou uma lembrança...

Link: vídeo de “vila esperança”no youtube  [só ouvindo... maravilhoso!].

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