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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O Caminhoneiro*

"O caminhoneiro". Já vi essa cena dezenas de vezes na Av. Duque de Caxias (zona norte de Teresina). 
Ontem resolvi registrá-la, pela câmera do celular. Foto: Daniel Solon

A Imagem me Lembra um poema de Mário Quintana:


Auto-retrato*

No retrato que me faço 
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...

Às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...

E, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,

No final, que restará?
Um desenho de criança...
corrigido por um louco!

Mário Quintana in. "Nova Antologia Poética". Ed. Globo, 2007, p.138.

terça-feira, 1 de maio de 2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

Gran finale*



Por Elmar Carvalho





Desmanchei
com minhas mãos
que os criara
os deuses em que cria.
Desfiz
a imagem que fizera
da mulher amada.
Perdi a fé em tudo
como quem nada perde.
Depois
gritei, berrei,
chorei gargalhando
e resolvi ficar louco.
Depois de doido,
resolvi tentar a sorte
                   sal –
                            tan –
                                      do de cabeça
do alto do arranha-céu.



in. Rosa dos ventos gerais, 2002, p.61.


segunda-feira, 12 de março de 2012

Sobre a loucura*



Por Michel Foucault


A extração da pedra da loucura
Hieronymus Bosch, c. 1475-1480
Óleo sobre madeira 48 x 35 cm


Não há civilização sem loucura. Essa parte de sombra, ou se vocês preferirem, de iluminação, ela acompanha o homem por todo lugar onde haja imposição de limites, onde se estabeleça instituições, onde leis sejam fixadas cada vez, sem dúvida, que ele fala. Há civilizações onde a loucura é parente próxima da religião; em outras, ela se aparenta, ao contrário, à magia ou ainda à medicina.

[...]

Conhecer e sujeitar. Saber e comandar. Estas são coisas que estão intimamente ligadas e, se vocês quiserem, eu as descobri em estado puro no hospital psiquiátrico, onde o saber médico, o conhecimento, aparentemente único: reino especulativo dos psiquiatras é absolutamente indissociável de um poder extraordinariamente meticuloso, sabiamente hierarquizado que se desvela no hospício.

[...]

A palavra que me parece mais pérfida não é a palavra “louco”. A que eu mais temo é “doença mental”. A passagem do louco ao doente, que é aparentemente uma nova qualificação, mas que é uma tomada de poder, foi isso que me interessou.


  
in. Michel Foucault par lui même (Documentário).  

Assista aqui


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