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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O Caminhoneiro*

"O caminhoneiro". Já vi essa cena dezenas de vezes na Av. Duque de Caxias (zona norte de Teresina). 
Ontem resolvi registrá-la, pela câmera do celular. Foto: Daniel Solon

A Imagem me Lembra um poema de Mário Quintana:


Auto-retrato*

No retrato que me faço 
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...

Às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...

E, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,

No final, que restará?
Um desenho de criança...
corrigido por um louco!

Mário Quintana in. "Nova Antologia Poética". Ed. Globo, 2007, p.138.

domingo, 29 de janeiro de 2012

O último poema*



Por Mario Quintana


Enquanto me davam a extrema-unção,
Eu estava distraído...
Ah, essa mania incorrigível de estar sempre pensando noutra coisa!
Aliás, tudo é sempre outra coisa
- segredo da poesia - 
E, enquanto a voz do padre zumbia como um besouro,
Eu pensava era nos meus primeiros sapatos
Que continuavam andando, que continuam andando,
Até hoje
Pelos caminhos deste mundo.


In: Preparativos de viagem, 1987.

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